História da presença Salesiana em Bagé

Colégio Salesiano Auxiliadora

Mais de 120 anos presente na cidade de Bagé/RS prezando pela educação moderna e de qualidade.

NOSSAS RAÍZES

Um sonho que atravessou fronteiras

A história do Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora está profundamente ligada à expansão da obra de São João Bosco e à chegada dos Salesianos ao sul do Brasil.

Em 1876, após o sucesso da Primeira Expedição Missionária Salesiana, Dom Bosco preparou uma nova turma de missionários, que foi enviada para Montevidéu, no Uruguai. Anos mais tarde, Dom Luís Lasagna fundou a Inspetoria Salesiana do Uruguai, que permanece atuante até os dias atuais. A proximidade geográfica entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul seria fundamental para a chegada dos Salesianos à região do Pampa Gaúcho.

22 JUL 1900

A comunidade sonha com uma escola

No início do século XX, Bagé enfrentava uma carência de instituições dedicadas à educação, especialmente diante do grande número de crianças que necessitavam de acesso ao ensino. Nesse contexto, o cônego João Ignácio de Bittencourt, então vigário da Paróquia de São Sebastião, convidou a população bageense para uma reunião, realizada em 22 de julho de 1900, com o objetivo de discutir a fundação de uma escola de instrução primária e secundária.

Na ocasião, foi constituída uma comissão, sob a coordenação do vigário, para arrecadar recursos destinados à aquisição de um terreno, à construção do prédio e à locação de uma casa que serviria provisoriamente para o funcionamento da instituição.

Diversas congregações religiosas participaram das discussões sobre a futura escola, entre elas os Agostinianos, Lazaristas e Jesuítas. Ao final, a Congregação dos Salesianos de Dom Bosco foi escolhida, sobretudo por sua reconhecida experiência e tradição na área da educação.

20 OUT 1903

O terreno e a nova missão

Em 20 de outubro de 1903, segundo relatório apresentado à Câmara Municipal de Bagé pelo intendente municipal José Octávio Gomes, estavam solucionadas as questões relacionadas à instalação do novo prédio. O terreno, situado em frente à então chamada “Praça da Constituição”, teve parte de sua área cedida pelo intendente aos Padres Salesianos.

Naquele período, os Salesianos já estavam presentes no Brasil, principalmente nas regiões de São Paulo e do Rio de Janeiro. Diante da distância geográfica, o então Reitor-Mor da Congregação Salesiana, Dom Miguel Rua, aprovou a implantação de obras educativas em Bagé e Rio Grande. Por sua proximidade, porém, os religiosos responsáveis pela nova missão viriam da Inspetoria Salesiana do Uruguai.

15 FEV 1904

Chegam os primeiros Salesianos

Assim, em 15 de fevereiro de 1904, chegaram a Bagé os primeiros Salesianos vindos de Montevidéu. Entre eles estavam os padres André Dell’Oca, Ezequiel Fraga, João Ilardia e Roberto Germano, além dos clérigos Jacinto Avellà, Manuel Fernando e Felipe Petrini e do irmão coadjutor Marcello Ratto. O padre André Dell’Oca assumiu a direção da nova obra.

Todos traziam consigo um mesmo propósito: levar ao sul do Brasil o carisma de São João Bosco e oferecer à juventude uma educação fundamentada na fé, na razão e no espírito de família.

1o Grupo de Salesianos em 1904
Primeiro grupo de Salesianos da obra de Bagé, em 1904.
2 MAR 1904

O início do sonho de Dom Bosco em Bagé

Poucos dias após a chegada dos Salesianos, a obra educacional começou a tomar forma. Em 24 de fevereiro de 1904, o jornal O Dever publicou uma notícia anunciando a abertura das matrículas do “Gymnasio N. Sra. Auxiliadora”, sob a direção do padre André Dell’Oca.

No dia 2 de março de 1904, tiveram início as aulas do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, funcionando provisoriamente em um prédio situado na então Rua General Flores da Cunha.

Primeiro prédio Provisório
Prédio onde o Colégio se instalou entre 1904 e 1906.
24 JUN 1904

A pedra fundamental

Enquanto as atividades escolares já estavam em andamento, avançavam os preparativos para a construção da sede definitiva.

Em 23 de junho de 1904, iniciou-se a construção da primeira parte do novo colégio, em sua atual localização, na Rua Marechal Floriano, nº 1335. No dia seguinte, 24 de junho de 1904, foi lançada a pedra fundamental do Colégio Salesiano N. S. Auxiliadora.

O local escolhido para a construção apresentava um desafio: havia ali um lago que precisaria ser aterrado para dar lugar ao novo edifício. As obras prosseguiram ao longo dos anos seguintes, dando forma à instituição que se tornaria uma referência educacional em Bagé.

Lançamento da Pedra Fundamental
Cerimônia de Lançamento da Pedra Fundamental do Colégio em 24 de junho de 1904.
3 MAR 1906

O antigo Auxiliadora

Em 3 de março de 1906, as aulas tiveram início novamente, desta vez no prédio definitivo do Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora, na Rua Marechal Floriano.

A partir daquele momento, consolidava-se em Bagé a presença salesiana, iniciada dois anos antes com a chegada dos primeiros religiosos vindos de Montevidéu. O Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora passou a fazer parte da história da cidade, contribuindo para a formação de inúmeras gerações de crianças e jovens.

Antigo Auxiliadora
Uma das fotos mais antigas do antigo edifício, antes de 1915.
1935

Uma presença que se consolida

O Colégio seguiu crescendo e fortalecendo sua educação de base humana e cristã na fronteira gaúcha.

Fachada Auxiliadora 1935
Fachada do Colégio em meados de 1935.
12 SET 1957

A visita do 5° Sucessor de Dom Bosco

O quinto sucessor de Dom Bosco, Padre Renato Ziggiotti, eleito no Capítulo Geral de 1952, propôs-se a uma tarefa árdua e ousada durante seu reitorado: visitar todas as casas da Congregação Salesiana. Para o Brasil, foi marcado o ano de 1957, e em Bagé foram reservadas as datas dos dias 12 e 13 de setembro.

O diretor do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora na época, Padre Hugo Neves Ferreira, juntamente com os demais salesianos, não poupou esforços para garantir que a visita do Reitor-Mor fosse um acontecimento marcante e memorável na história do colégio e da cidade. Além disso, as autoridades municipais demonstraram grande interesse na visita do sucessor de Dom Bosco, cooperando com os salesianos para organizar uma grande recepção. O dia da chegada do Padre Ziggiotti foi declarado feriado escolar pelo prefeito de Bagé, Sr. Hugo Souza, às vésperas da recepção do sacerdote. O General da 3ª Brigada de Cavalaria também comunicou que todos os oficiais do quartel-general estariam à disposição.

Como previsto, o Padre Renato Ziggiotti chegou a Bagé no dia 12 de setembro de 1957. Após ser festivamente recebido no aeroporto, foi conduzido à Praça Silveira Martins, onde recebeu significativas homenagens de boas-vindas por parte das autoridades civis, militares e legislativas, bem como dos alunos e alunas de vários colégios, os quais desfilaram com entusiasmo pelas ruas da cidade.

A seguir, o Padre Ziggiotti foi recebido, em um palco preparado no pátio do Colégio Auxiliadora, por salesianos, alunos, professores, ex-alunos, cooperadores salesianos, associações e demais fiéis da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Após saudações de representantes dos diferentes grupos, o Padre Ziggiotti dirigiu-se a todos os presentes.

Na tarde daquele dia 12, o Reitor-Mor dedicou seu tempo a atender os salesianos, conversando com cada um em particular. À noite, na Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora, dirigiu mais uma vez a palavra ao povo reunido em grande número e deu solenemente a bênção com o Santíssimo Sacramento.

No dia seguinte, 13 de setembro, o Padre Ziggiotti fez uma palestra aos salesianos durante a meditação da comunidade e, em seguida, celebrou a missa na Igreja Matriz, na qual um grupo de alunos fez a Primeira Comunhão. Ajudaram na missa, conforme o costume da época, os coroinhas Celso Fernando Lamotte Meirelles e Tarcísio Luís Brasil Martins. Após a celebração, o Reitor-Mor dirigiu-se ao aeroporto, viajando para Porto Alegre em companhia do Padre Inspetor e de seu secretário particular.

A histórica visita do Reitor-Mor em 1957 e suas celebrações com a comunidade.
DEZ 1962

Um novo colégio para um novo tempo

Com o passar das décadas, o crescimento da obra salesiana e o aumento da procura por parte das famílias bageenses fizeram surgir novos desafios. No final da década de 1950, o número de alunos e a demanda por vagas tornaram necessária a construção de um edifício mais amplo e moderno, capaz de atender às necessidades da comunidade educativa.

Após os preparativos, a construção do novo prédio teve início em dezembro de 1962. A primeira etapa da nova edificação, correspondente à ala sul, foi inaugurada em 24 de maio de 1964, em uma solenidade marcada pela bênção de Dom José Gomes, primeiro bispo diocesano de Bagé.

A construção representava uma nova etapa na história do Auxiliadora. O novo edifício buscava responder ao crescimento da instituição e às transformações pelas quais passava a educação, oferecendo melhores espaços para acolher os alunos e dar continuidade à missão educativa salesiana.

Construção Novo Prédio
Construção do novo prédio; o antigo ao fundo (1962-1964).
JUL 1969

A demolição e um milagre

Em julho de 1969, teve início a demolição do antigo edifício, que durante mais de seis décadas havia sido cenário da vida escolar e religiosa de inúmeras gerações. A demolição foi uma tarefa árdua e dolorosa para aqueles que vivenciavam a obra salesiana em Bagé. A antiga construção não era apenas um prédio: suas paredes, salas e corredores guardavam lembranças, histórias e experiências de todos aqueles que, ao longo dos anos, fizeram parte da comunidade do Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora.

Durante a demolição do antigo prédio do Colégio Auxiliadora, um episódio marcante ficou guardado na memória. Dom José Balestieri, que foi ecônomo e diretor durante o período de conclusão do novo edifício, recorda um fato ocorrido: a grande imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, que desde 1905 olhava por todos os jovens, do topo do prédio antigo, acabou sendo derrubada de seu lugar, em vez de ser cuidadosamente retirada.

A imagem caiu com toda a força de seu peso, atravessando os vários andares que ainda permaneciam de pé. Felizmente, ninguém foi ferido. Ao chegar ao solo, a estátua permanecia quase intacta, apresentando apenas alguns arranhões e danos em uma de suas mãos.

Estátua de Nossa Senhora
A imagem, que resistiu à queda, encontra-se hoje no Pátio.
2012

Uma única missão: educar e evangelizar

Ao mesmo tempo em que se encerrava um capítulo marcado por tantas memórias, outro começava a ser construído. O novo edifício simbolizava a continuidade da missão iniciada pelos primeiros Salesianos em 1904: acompanhar os jovens, formar cidadãos e manter vivo, em Bagé, o legado de Dom Bosco.

Mais de um século depois, essa missão permanece viva. O Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora continua construindo sua história junto à comunidade bageense, preservando suas raízes, valorizando as memórias de seu passado e olhando para o futuro com o mesmo propósito que guiou seus primeiros educadores: oferecer uma educação integral, humana e cristã, inspirada no carisma salesiano.

Colégio Auxiliadora 2012
Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora em 2012.
PRESENTE E FUTURO

Orgulho faz parte da nossa história!

O ideal educativo do colégio sempre foi formar Bons Cristãos e Honestos Cidadãos, dentro de um ambiente que preza pela amizade, respeita as diferenças e transmite confiança através do trabalho desenvolvido pelo corpo docente e de gestão escolar.

Há mais de 120 anos presente na cidade de Bagé/RS prezando sempre pela educação moderna e de qualidade, mantendo o pioneirismo e valorizando a tradição sem perder a nossa essência.

Colégio Salesiano Auxiliadora Atual

Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

Santuário e devoção da família salesiana em Bagé.

1904

A devoção à Nossa Senhora Auxiliadora em Bagé

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, característica da família salesiana de Dom Bosco, esteve desde os primeiros anos presente na ação educativa e pastoral dos Salesianos em Bagé. Da pequena capela interna do colégio, instalada em 1904 e elevada à condição de matriz da paróquia em 1919, até o majestoso templo inaugurado em 24 de maio de 1929, a devoção à Auxiliadora dos Cristãos foi se espalhando pela fronteira do sul do Brasil e alcançando os lugares mais distantes, principalmente por meio dos ex-alunos, que, ao seguirem novos caminhos, levavam consigo a fé e os ensinamentos recebidos em Bagé.

1904 – 1908

A primitiva capela

A notícia da inaugurado do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em 2 de março de 1904, já fazia referência à celebração de uma missa em uma pequena sala onde havia sido instalada a capela destinada ao uso dos alunos e professores. Em junho daquele mesmo ano, tiveram início os trabalhos de construção do edifício do colégio, na Rua Marechal Floriano. À medida que as paredes do novo prédio eram erguidas, um dos primeiros cuidados foi reservar uma de suas salas para o funcionamento de uma capela provisória.

Em 1908, conforme registra a crônica, “fica terminado o novo salão que deve servir para capela e teatro”. No dia 6 de setembro daquele ano, realizou-se a bênção da capela, presidida pelo Padre Dell’Oca, seguida de missa solene, “cantada pelo Rev.mo Sr. Vigário Costabile Hippolyto”.

À medida que a presença e a ação dos Salesianos em favor do povo cresciam e ultrapassavam os limites do colégio, começou a surgir a ideia da criação de uma nova paróquia em Bagé. Até então, a cidade contava apenas com a Paróquia de São Sebastião, existente desde a fundação da povoação.

8 MAI 1919

A criação da Paróquia

A Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora foi criada por decreto do bispo diocesano de Pelotas, Dom Francisco de Campos Barreto, em 8 de maio de 1919. Com a criação da nova paróquia, a capela interna do Colégio Auxiliadora foi elevada à condição de igreja-matriz, passando a acolher a recém-formada comunidade paroquial, razão pela qual as crônicas passaram a utilizar também a expressão “capela-matriz”. A paróquia foi solenemente instalada no dia 24 de maio do mesmo ano e seu primeiro pároco foi o Padre Francisco Gaiotto, diretor do Colégio Salesiano Auxiliadora até então.

Antiga Capela do Colégio
Altar da antiga Capela, a primeira Matriz da Paróquia.
24 MAI 1923

A Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

O Padre Carlos Peretto, terceiro diretor do Auxiliadora, já havia sonhado com a construção, em Bagé, de um santuário dedicado à Auxiliadora. Coube, porém, ao seu sucessor, Padre Francisco Gaiotto, primeiro pároco da recém-criada paróquia, levar adiante essa ideia. Pouco depois da criação da paróquia, os Salesianos, contando com a colaboração dos Salesianos Cooperadores, iniciaram um movimento para arrecadar recursos destinados à construção de um templo em honra de Nossa Senhora Auxiliadora. Desde o início, a iniciativa contou com o apoio da comunidade.

Em dezembro de 1922, foi adquirido o prédio existente ao lado do colégio. No dia 24 de maio de 1923, por ocasião da celebração do quarto aniversário da criação da paróquia, foi lançada a pedra fundamental do novo templo. Naquele momento, era pároco o Padre Antônio de Almeida Lustosa, que mais tarde se tornaria bispo e, hoje, é reconhecido como “Venerável”. A bênção da pedra fundamental foi realizada solenemente pelo bispo de Pelotas, Dom Joaquim Ferreira de Mello.

O projeto da igreja foi elaborado pelo arquiteto salesiano Padre Ernesto Vespignani (frequentemente referido como “Dom Vespignani”. A denominação “Domingos”, encontrada em algumas referências, parece resultar da interpretação equivocada de “Dom Vespignani”), que também projetou a Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora e São Carlos em Buenos Aires. A direção da execução e adaptação do projeto ficou a cargo do coadjutor salesiano e construtor Heitor Schneider, que pertenceu à comunidade salesiana do Auxiliadora durante os anos de construção e, posteriormente, retornou à comunidade em um segundo período.

Pedra Fundamental
Bênção da Pedra Fundamental da futura Paróquia.
1924

Missa Campal

Em 1924, quando as colunas já estavam erguidas e os arcos da futura igreja começavam a ser construídos, foi celebrada uma solene missa campal no interior do novo templo. Para a ocasião, preparou-se um altar diante do andor da Virgem Auxiliadora. A celebração teve como celebrante o Padre Pedro Rota, inspetor dos Salesianos no Brasil, e como “diácono” o Padre Antônio de Almeida Lustosa, diretor e pároco, que também proferiu a homilia.

Missa Campal
Missa campal realizada dentro do futuro templo.
1927

Os Sinos e o avanço da obra

Durante a maior parte do período de construção da igreja, o pároco responsável foi o Padre Teófilo Twórz, que substituiu o Padre Lustosa após sua eleição como bispo de Uberaba. Em 1927, o templo já recebia o telhado, enquanto eram realizados os preparativos para a armação das abóbadas e da torre.

Também naquele ano chegou a Bagé o carrilhão de cinco sinos. Diante da impossibilidade da presença do bispo de Pelotas, a bênção dos sinos foi realizada pelo Monsenhor Costabile Hippolyto, no dia 21 de agosto de 1927. Conforme a tradição, cada sino recebeu um nome: o primeiro foi dedicado ao Sagrado Coração de Jesus; o segundo, a Nossa Senhora Auxiliadora; o terceiro, a São José; o quarto, a São Francisco de Sales; e o quinto, a Dom Bosco e Domingos Sávio.

Processo de construção
Vista interna do processo de construção.
Os 5 sinos
Os 5 sinos originais da Paróquia.
1928

A torre e a estátua

O ano de 1928 foi dedicado à confecção das abóbadas de concreto e à conclusão da torre. No dia 27 de julho, o arquiteto Schneider colocou a cruz no alto da torre. Em 12 de outubro, os sinos foram inaugurados no compartimento da torre.

Ainda em outubro daquele ano, chegaram a Bagé o relógio da torre, doado pelo Município de Bagé sob a liderança de seu intendente, o Dr. Carlos Mangabeira, os vitrais da igreja e a belíssima estátua de Maria Auxiliadora, que seria inaugurada no ano seguinte.

Torre em construção
Andamento do projeto de construção da paróquia.
24 MAI 1929

A Inauguração

Embora a construção ainda não estivesse totalmente concluída, faltando o revestimento externo, a igreja foi solenemente inaugurada em 24 de maio de 1929, com a bênção solene concedida pelo bispo diocesano de Pelotas, Dom Joaquim Ferreira de Mello. Na mesma ocasião, foi abençoada a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, que, desde então, passou a dominar majestosa em seu templo.

A respeito da imagem, o jornal “Correio do Povo”, de Porto Alegre, em sua edição de 26 de maio daquele ano, registrou: “O encanto, porém, do elegante santuário, é a nova estátua da padroeira. Custou a quantia de 5 contos de réis, e é dádiva de uma cooperadora salesiana, grande devota de Maria. Essa magnífica imagem é produto dum artista italiano, o escultor Ferraro Vittorio, de Turim.”

Uma característica marcante do santuário, presente desde sua construção e conservada até os dias atuais, é a pintura interna totalmente branca. O cronista da época, o salesiano Padre Américo Ceppi, destacou essa particularidade ao relatar a missa da meia-noite do Natal daquele ano. Em seu relato, conferiu à brancura do templo um belo significado bíblico, comparando-a às vestes da noiva do Cordeiro mencionada no livro do Apocalipse:

“A nova Matriz apresentava-se em toda a sua brancura, qual a Esposa do Cordeiro. A assistência nessa data foi extraordinária, calculando-se para mais de 800 pessoas. A Schola Cantorum esteve no seu maior brilho, tendo executado a grandiosa missa ‘Te Deum laudamus’ do M. Perosi.”

1934

Canonização de Dom Bosco

Cinco anos mais tarde, em 1934, a Igreja viveu um acontecimento de grande significado para a família salesiana: a canonização de Dom Bosco, realizada em Roma no dia 1º de abril, solenidade da Páscoa da Ressurreição.

A canonização também foi celebrada em Bagé. No dia 9 de setembro de 1934, realizou-se a festa de São João Bosco e a bênção de sua imagem, que, desde então, permanece sobre o altar a ele dedicado. A capela de Dom Bosco, construída no local do primitivo altar, foi obra do diretor e pároco Padre Hugo Neves Ferreira, em 1962.

MAIO 1943

A “lâmpada votiva”

Entre as tradições que marcaram a história de Bagé está a chamada “lâmpada votiva”, tradição cujo nome ficou ligado ao Padre Edgar de Aquino Rocha. O costume teve início em maio de 1943. Naquele momento, o Padre Edgar, diretor e pároco, propôs ao povo de Bagé que todas as famílias da cidade realizassem um gesto de homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora, pedindo paz e proteção para o Brasil e para o mundo, que vivia a angústia da Segunda Guerra Mundial.

A proposta era simples e, ao mesmo tempo, carregada de significado: ao entardecer do dia 24 de maio, quando repicassem os sinos da Auxiliadora, cada família deveria acender uma vela na janela de sua casa.

No dia 23 de maio daquele ano, o jornal “Correio do Sul” publicou a seguinte notícia: “Quando da realização da festa de Nossa Senhora Auxiliadora, às 19 horas, as fachadas das casas da cidade devem ser iluminadas, em uma demonstração de piedade à Virgem e uma imploração de bênção e de paz”. A Crônica do Colégio Auxiliadora explica que, naquele ano de 1943, a festa de Nossa Senhora Auxiliadora havia sido antecipada para o dia 23, por coincidir o dia 24 com um domingo.

No ano seguinte, em 1944, o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial e muitos jovens soldados tiveram de partir para a Europa como “expedicionários”. Diante dessa nova realidade, o gesto de iluminar as janelas das casas ganhou um sentido ainda mais especial. Além de representar uma homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora, passou a ser também um pedido e um “voto” — razão pela qual recebeu o nome de “lâmpada votiva” — para que todos os jovens de Bagé que haviam partido para a guerra retornassem sãos e salvos.

Terminada a guerra, foi possível agradecer a Deus e à Virgem de Dom Bosco pelo retorno de todos os seus filhos, sem uma só perda. O costume de colocar velas acesas nas janelas das casas na noite de 24 de maio tornou-se tradicional e permanece até os dias atuais. Com o passar do tempo, a tradição também evoluiu: das simples velas acesas nas janelas, passou a incluir manifestações mais artísticas, que imitam vitrais confeccionados com papel colorido.

Lâmpada votiva
2 JUN 1958

A Auxiliadora, padroeira de Bagé

Desde a fundação da cidade, São Sebastião é o padroeiro de Bagé. Foi a partir da humilde capela existente nos primeiros tempos da povoação que se originou a igreja-matriz, hoje Catedral.

Ao mesmo tempo em que crescia entre os bageenses a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, também se fortalecia a ideia de proclamá-la padroeira de Bagé. Esse desejo acabou se concretizando no decreto legislativo de 2 de junho de 1958, ano do centenário da cidade, posteriormente sancionado pelo prefeito municipal em exercício, vereador Palmor Brignol. O mesmo decreto declarou o dia 24 de maio como “dia santo municipal”, considerando a data “ponto facultativo e feriado escolar”.

O projeto foi apresentado no Legislativo Municipal pelo vereador Frederico Petrucci, que durante muitos anos foi professor no Auxiliadora. A iniciativa contou ainda com a contribuição de Oneya Arbo Aguirre, secretária da Câmara, “graças ao zelo incansável” com que esclareceu os vereadores sobre a questão do número de padroeiros que uma cidade pode ter.

Naquele momento, o Padre Hugo Neves Ferreira, diretor e pároco, registrou também essa participação na história da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora em Bagé. Assim, ao longo das décadas, a presença de Maria Auxiliadora foi ultrapassando os limites do templo e da comunidade salesiana, tornando-se parte da própria história religiosa e cultural da cidade.

Quadro da Padroeira
JAN 2020

Entrega da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora à Diocese de Bagé

Após um século de vínculo entre a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora e o Colégio Salesiano Auxiliadora, a presença da comunidade religiosa salesiana em Bagé passou por um processo de reorganização institucional. Ao longo de 2019, foram realizadas reuniões entre o Grupo Gestor do Colégio Salesiano Auxiliadora, a Inspetoria Salesiana São Pio X e a Diocese de Bagé, com o objetivo de definir os novos encaminhamentos para a atuação pastoral na comunidade. Como resultado desse processo, foi estabelecida a transferência da administração da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora para a Diocese de Bagé, mantendo-se a colaboração com o Colégio Salesiano Auxiliadora, especialmente para a realização de celebrações e atividades pastorais. A partir de janeiro de 2020, a Paróquia passou oficialmente à administração diocesana, dando continuidade à sua missão pastoral e à sua importante trajetória junto à comunidade de Bagé.

Sob a nova administração, já foram párocos:

  • Frei Eudes Roque Zanon (2020)
  • Frei Juan Miguel Gutiérrez Méndez (2021)
  • Frei Eudes Roque Zanon (2022-ATUALMENTE)
1919 – 2019

Os párocos da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

Ao longo dos 107 anos de existência da paróquia, muitos foram os Salesianos que exerceram a função de pároco. Alguns deles desempenharam, simultaneamente, a função de diretores do Colégio Auxiliadora. Conforme os registros da paróquia, exerceram o ministério de párocos da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora:

  • P. Francisco Gaiotto (1919-1922)
  • P. Antônio de Almeida Lustosa (1923-1924)
  • P. Teófilo Twórz (1925-1930)
  • P. José Luiz Valentim (1931-1933)
  • P. Júlio Bonalume (1934-1935)
  • P. Leão Muzzarelli (1936-1937)
  • P. Octacílio de Oliveira (1938-1940)
  • P. Edgar de Aquino Rocha (1941-1947)
  • P. Rafael Chroboczek (1948-1952)
  • P. Sílvio Sattler (1953-1955)
  • P. Hugo Neves Ferreira (1956-1964)
  • P. Olindo Carlini (1965-1974)
  • P. Sigmundo Tarnowski (1975)
  • P. Armando Edson Garcia (1976-1979)
  • P. Antônio Deretti (1980-1982)
  • P. Luiz Santiago de Araújo (1983)
  • P. Honorino João Muraro (1984-1986)
  • P. Arturo Cipriano (1987-1998)
  • P. Francisco Brys (1999-2000)
  • P. Sigmundo Tarnowski (2001-2011)
  • P. Juarez Testoni (2011-2015)
  • P. Ademar Urbainski (2015-2017)
  • P. Carison Kapelinski (2018)
  • P. Tarcísio Luís Brasil Martins (2019)

Instituto São Pedro de Educação e Assistência

Transformando realidades através do aprendizado

1921

Uma humilde chácara

A história do Instituto São Pedro de Educação e Assistência (ISPEA) tem suas raízes no início da década de 1920. Em 1921, a congregação salesiana adquiriu um terreno na então Vila Petrópolis, na cidade de Bagé, com o objetivo de expandir suas atividades. Em estreito contato com a comunidade local, iniciou-se a construção de uma capela, inaugurada em 19 de março de 1922.

O espaço foi nomeado em homenagem a São Pedro e marcou o início de uma trajetória de forte engajamento comunitário que viria a moldar o futuro do atual Bairro Getúlio Vargas. Logo nos primeiros anos, a vocação educacional e social da instituição começou a tomar forma com a criação da primeira escola e de associações voltadas ao voluntariado e à assistência social.

10 MAR 1955

O nascimento do Instituto São Pedro de Educação e Assistência

O desenvolvimento da instituição ganhou seu maior impulso na década de 1950. No dia 10 de março de 1955, sob a liderança dedicada do Padre Honorino João Muraro, foi oficialmente fundado o Instituto São Pedro de Educação e Assistência, ganhando diretoria e estatutos próprios. O Padre Muraro desempenhou um papel fundamental na mobilização da comunidade e na expansão da infraestrutura local, promovendo a união dos moradores em prol do desenvolvimento da região.

Capela e ISPEA
A capela São Pedro e o ISPEA. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora.
1956 – 1960

Expansão e o Ginásio São Pedro

Com um grande esforço coletivo, as instalações do ISPEA foram se multiplicando. Em 1956, inaugurou-se um amplo salão para atividades comunitárias e culturais. Sempre atento às necessidades de desenvolvimento da população, o Instituto firmou convênios a partir de 1958 para oferecer os primeiros cursos profissionalizantes. O objetivo era claro: proporcionar não apenas a qualificação técnica para o mercado de trabalho, mas também a formação humana integral. O sucesso dessas iniciativas culminou na inauguração do “Ginásio São Pedro”, no início da década de 1960.

Instalações ISPEA
Ginásio Dom Bosco
ISPEA e Ginásio de esportes Dom Bosco em 1996. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora.
2001 – 2006

Uma nova fase: a Obra Social

Com o passar das décadas, o ISPEA demonstrou sua capacidade de adaptação às novas realidades socioeconômicas. No final do ano 2000, a instituição concluiu seu ciclo como Escola Salesiana de Ensino Fundamental. A partir de 2001, o Instituto reestruturou sua atuação, passando a funcionar exclusivamente como Obra Social Salesiana de Assistência Social, com foco na profissionalização.

Em 2006, o prédio histórico do Instituto foi desapropriado pela Administração Municipal, passando a abrigar a Escola Municipal São Pedro. Durante esse período de transição, o ISPEA continuou sua missão ministrando cursos em salas alugadas nas dependências da Paróquia São Pedro. No ano seguinte, em 2007, a instituição estabeleceu-se em um novo endereço: um galpão totalmente reformado na Rua Santo Antônio, 139E, no Bairro Getúlio Vargas, onde consolidou sua nova fase.

2007

Os “Amigos do ISPEA”

Nesta etapa de sua história, a Obra Social do ISPEA apresentou um crescimento notável. A instituição passou a oferecer cursos totalmente gratuitos em áreas como Inclusão Digital (Informática), Música (Violão e Animação Musical), Secretariado, Artesanato, Teatro e Comunicação. Além da qualificação técnica, promoveu Encontros de Formação com o Grupo de Jovens da Articulação da Juventude Salesiana.

O alcance desses projetos foi formidável: a cada semestre, a instituição abria inscrições e chegava a acolher mais de 350 educandos. O ISPEA abraçou adolescentes, jovens e adultos vindos de diversos bairros, contemplando alunos de mais de 40 instituições de ensino de Bagé e de cidades vizinhas.

Amigos do ISPEA
Encontro da AJS realizado em 14 setembro de 2012 no ISPEA. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora.
22 JUL 2012

O sonho missionário: AMJ 2012

Entre 22 e 26 de julho de 2012, o ISPEA vivenciou um importante marco de solidariedade e fé com a realização da Animação Missionária Juvenil (AMJ), realizada pela primeira vez no Rio Grande do Sul. O projeto reuniu cerca de 40 jovens missionários, que foram calorosamente acolhidos pela Paróquia São Pedro, concentrando suas ações de forma especial no bairro São Bernardo.

A missão aconteceu de maneira imersiva e profundamente humana. Durante os dias de ação, os jovens saíram de suas zonas de conforto para se dedicarem integralmente à comunidade. A rotina foi marcada por intensas visitas domiciliares, momentos de recreação e cuidado com crianças no oratório, além de oficinas formativas e encontros para as lideranças paroquiais. O encerramento coroou o trabalho com um grande “Encontrão de Jovens”, que reuniu e integrou a juventude da região.

Mais do que o cronograma de atividades, o verdadeiro impacto dessa missão se deu pela forma genuína como o trabalho foi realizado: através da escuta atenta, do sorriso e da doação de tempo. Os missionários levaram esperança e carinho de porta em porta, provando que a simples disposição de se importar e de estar presente é capaz de transformar tanto a realidade das famílias visitadas quanto o coração de quem se propõe a servir.

AMJ 2012 com apoio da Paróquia São Pedro e ISPEA. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano Auxiliadora.
FINAL DE 2012

Encerramento das atividades

Após quase seis décadas de serviços inestimáveis prestados à comunidade, o Instituto São Pedro de Educação e Assistência encerrou oficialmente suas atividades no final do ano de 2012.

O fechamento de suas portas marcou a conclusão de um ciclo institucional brilhante. Contudo, o verdadeiro legado do ISPEA não se limita aos prédios ou estatutos, mas vive na transformação social que promoveu, nos profissionais que formou e, sobretudo, nos valores de cidadania, solidariedade e educação humana que plantou permanentemente na história de Bagé e no coração de milhares de cidadãos.

Paróquia São Pedro

Um crescimento lado a lado com a cidade

15 AGO 1920

As origens e a primeira capela

A Paróquia São Pedro, hoje localizada na Avenida Santa Tecla, nº 500, no Bairro Getúlio Vargas, em Bagé, possui uma trajetória profundamente entrelaçada com o desenvolvimento urbano, social e espiritual da comunidade local. O que antes era uma área isolada, conhecida como Petrópolis e, posteriormente, Bairro Povo Novo, transformou-se em um bairro estruturado e acolhedor, cujo crescimento acompanhou lado a lado a expansão de nossa comunidade de fé.

O movimento religioso na região teve início em 15 de agosto de 1920. Atendendo aos pedidos dos padres salesianos, que já percebiam o crescimento da então Vila do Povo Novo e a necessidade de evangelização local, as primeiras reuniões começaram a ocorrer na residência do casal Orvandil e Alice Barreto Luz (na Rua Félix da Cunha, hoje Av. Presidente Vargas, 875), que funcionava como uma extensão da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.

19 MAR 1922

O terreno definitivo

Em 7 de janeiro de 1922, deu-se início à aquisição do terreno definitivo para a construção da Capela São Pedro. A pedra fundamental foi lançada em 2 de fevereiro daquele ano, culminando em sua inauguração no dia 19 de março. Em pouco tempo, a capela tornou-se um grande centro de referência, abrigando diversas associações religiosas e populares e registrando um contínuo aumento no número de fiéis.

Capela de São Pedro
Antiga Capela São Pedro. Fonte: Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora.
1951 – 1956

O crescimento e criação da Paróquia

O impacto da presença salesiana transcendeu as paredes da capela, contribuindo decisivamente para a urbanização e a melhoria da qualidade de vida no entorno. Em 22 de setembro de 1951, o Bispo Diocesano abençoou o lançamento da pedra fundamental da Escola São Pedro (que viria a ser o Instituto São Pedro de Educação e Assistência – ISPEA). A partir de 1956, as celebrações litúrgicas passaram a ser realizadas no grande salão recém-inaugurado da instituição.

3 MAR 1963

Criação oficial da Paróquia

O atendimento pastoral, abrangendo uma grande extensão da zona urbana e rural da região da Campanha, passou a exigir novas urgências. Em 1955, o então inspetor salesiano, Padre M. Bellido, e o Bispo Dom José Gomes concordaram que a comunidade da Capela São Pedro já estava madura o suficiente para trilhar seu próprio caminho. Com a aprovação dos superiores, no dia 3 de março de 1963, foi oficialmente criada e instalada a Paróquia São Pedro, desmembrada do território da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, tendo como seu primeiro pároco o Padre Honorino João Muraro.

20 OUT 1974

A construção da nova Matriz

Durante seus primeiros anos, a nova paróquia continuou utilizando o salão de 1956 como sua igreja-matriz provisória. No dia 13 de maio de 1973, um novo grande passo foi dado com a assinatura da escritura de um terreno localizado na esquina da Rua Santa Cândida com a Av. Santa Tecla, onde já existia uma casa paroquial.

A construção do novo templo teve início em 24 de setembro de 1973. Pouco mais de um ano depois, no dia 20 de outubro de 1974, a nova e definitiva Igreja Matriz de São Pedro foi solenemente inaugurada pelo Bispo Dom Ângelo Mugnol, consolidando-se como um polo de encontro, apoio e assistência para inúmeras famílias.

Fachada Antiga 1974
Antiga fachada da Paróquia São Pedro, inaugurada em 1974. Fonte: Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora.
31 DEZ 2009

Entrega da Paróquia São Pedro para a Diocese de Bagé

Após décadas de dedicação e de um bonito trabalho de evangelização, no dia 31 de dezembro de 2009, os padres salesianos transferiram a administração da Paróquia São Pedro para a Diocese de Bagé. Marcando o início de um novo capítulo de fé, na história da paróquia.

A comunidade São Pedro guarda um imenso carinho e gratidão por tudo o que foi construído pelos Salesianos de Dom Bosco, e com o mesmo amor e espírito acolhedor, receberam o Padre Elautério Junior, o primeiro pároco diocesano a assumir a comunidade.

Paróquia São Pedro Atual
Paróquia São Pedro em 2004. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano N. Sra. Auxiliadora.
1963 – 2009

Histórico de Párocos Salesianos

Desde a sua fundação oficial como paróquia, dedicados sacerdotes deixaram suas marcas na comunidade. Foram párocos:

  • Pe. Honorino João Muraro (1963 – 1970)*
  • Pe. Geraldo Pereira D’Ávila (1970 – 1977)
  • Pe. João Pedro da Silva Peres (1977 – 1978 / 1979 – 1982)
  • Pe. Décio Antônio Bona (1978 – 1979)
  • Pe. Álvaro Noriler (1983 – 1984)
  • Pe. Orestes Sattler (1985 – 1990 / 1995 – 2000)
  • Pe. Vicente Stelmaszczyk (1990 – 1993)
  • Pe. Tarcísio Luís Brasil Martins (1993 – 1995)
  • Pe. Leo Kieling (2000 – 2005)
  • Pe. Eduardo Bogo (2005 – 2008)
  • Pe. Vergílio Altini (2008 – 2009)

*Nota: Os registros históricos também prestam homenagem ao Pe. Osório Caetano Muraro, que auxiliou ativamente a comunidade entre 1967 e 1969.

Obra Social Laura Vicunha

Educação de meninas e jovens e assistência comunitária.

09 JAN 1969

A chegada das Filhas de Maria Auxiliadora

O desejo de trazer as Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), também conhecidas como Irmãs Salesianas, para Bagé era antigo. O primeiro registro data de 1913, quando o então vigário da cidade, Padre Costabile Hippolytho, solicitou ao inspetor salesiano a vinda das religiosas para dirigir o Orfanato São Benedito. No entanto, nos planos divinos, a chegada das Irmãs só viria a se concretizar muito tempo depois, em 09 de janeiro de 1969.

A vinda definitiva das religiosas ocorreu graças à percepção do Padre Honorino João Muraro, que notou a forte necessidade da presença de uma comunidade de Irmãs no Bairro Getúlio Vargas, com o objetivo principal de atender senhoras, jovens e meninas da região. Com o empenho do Padre Honorino, as Filhas de Maria Auxiliadora finalmente se estabeleceram em Bagé, dando início à “Obra Social Laura Vicuña”.

A primeira comunidade que chegou à cidade era formada pelas irmãs: Ir. Thecla Zaydowicz, Ir. Arlete Passos, Ir. Angelina Chiarot e Ir. Natalina Spezia. Apesar das muitas dificuldades iniciais, elas superaram todos os obstáculos guiadas por uma fé intrépida, pela confiança em Nossa Senhora Auxiliadora e pelo forte desejo de realizar o bem.

Filhas de Maria Auxiliadora em 1969
Filhas de Maria Auxiliadora que chegaram em Bagé, em 1969. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano Auxiliadora.
ANOS SEGUINTES

Inserção na comunidade

Inicialmente, as irmãs residiam muito próximas ao Instituto São Pedro e à igreja paroquial, onde atuavam trabalhando junto aos salesianos no ensino religioso, na assistência, em diversas disciplinas escolares, na pastoral paroquial e na catequese da periferia. Posteriormente, buscando um sentido evangélico de inserção, identificação e pertença, a comunidade transferiu-se para o Bairro Ivo Ferronatto (também pertencente à Paróquia São Pedro), com o objetivo de estar ainda mais próxima das famílias com as quais trabalhavam.

Filhas de Maria Auxiliadora em 1994
Filhas de Maria Auxiliadora em 1994. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano Auxiliadora.
INSPIRAÇÃO

A educação idealizada por Madre Mazzarello

O Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora foi fundado em 1872, na Itália, por Dom Bosco. A missão central era dedicar-se à educação de meninas e jovens, realizando o mesmo trabalho e cuidado que os padres salesianos já desenvolviam em favor dos meninos. O grupo inicial do Instituto era chamado de “Filhas de Maria Imaculada” e, ao serem iniciadas na vida religiosa, elegeram como sua superiora a jovem Maria Domingas Mazzarello, carinhosamente conhecida como “Madre Mazzarello” (canonizada em 1951 pelo Papa Pio XII).

Inspirada por esses ideais, a Obra Social Laura Vicuña tinha como finalidade proporcionar às jovens uma educação integral e habilitação profissional, garantindo-lhes a capacidade de prover o próprio sustento. Para atingir esse objetivo na prática, a instituição fundou rapidamente uma escola de datilografia e outra voltada para corte, costura e bordado a mão, garantindo que o trabalho de formação caminhasse lado a lado com a profissionalização e o ensino religioso.

Madre Mazzarello e Dom Bosco
AOS SÁBADOS

O Oratório da Obra Social

Além das atividades típicas que eram ofertadas pelas Irmãs Salesianas no Bairro Ivo Ferronatto, como a catequese, as missas (realizadas com o apoio do pároco da Paróquia São Pedro) e a ajuda direta às famílias mais necessitadas, todo sábado também era dia de Oratório na Obra Social. Com a participação de cerca de 40 a 50 jovens, as Filhas de Maria Auxiliadora aproveitavam o pátio, que era humilde, porém muito divertido, para educar e evangelizar.

Ocasionalmente, o Grupo de Animação Missionária (GAM) do Colégio Salesiano Auxiliadora também participava desses Oratórios. Essa integração tinha como principal objetivo fortalecer a presença e os carismas de Dom Bosco e Madre Mazzarello na Rainha da Fronteira.

Oratório na Obra Social com o GAM Bagé e Salesianos Cooperadores (14/10/2023). Fonte: Arquivo Colégio Salesiano Auxiliadora.
24 A 27 JUL 2024

Animação Missionária Juvenil 2024

Um marco expressivo ocorreu entre os dias 24 e 27 de julho de 2024, quando a Obra Social Laura Vicunha e a Paróquia São Pedro serviram de base e suporte para a Animação Missionária Juvenil (AMJ). O projeto da Inspetoria Salesiana São Pio X reuniu 30 missionários ligados ao Colégio Salesiano Auxiliadora, incluindo estudantes, professores, coordenadores, Salesianos Cooperadores e membros do GAM. Durante os quatro dias de reflexão e aprendizado, os jovens visitaram 220 casas nos bairros Ivo Ferronatto e Malafaia, levando o carisma salesiano, acolhimento e oração às famílias. O espaço da Obra Social sediou todos os oratórios realizados no período, proporcionando às crianças e adolescentes da comunidade momentos de muita brincadeira, oração, partilha de lanches com os missionários. A missão foi encerrada com um forte momento de partilha, no qual os jovens relataram como o contato com novas realidades engrandeceu suas perspectivas de mundo.

DEZ 2025

Encerramento das atividades

O ciclo de dedicação e amor da Obra Social encerrou-se em um clima de despedida e profundo reconhecimento. Em 14 de dezembro de 2025, uma missa celebrada pelo Bispo Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco e Padre Edegar Barrozzo na Paróquia São Pedro marcou a homenagem às Filhas de Maria Auxiliadora. A celebração reuniu a comunidade local, Salesianos Cooperadores, ex-alunos do ISPEA, membros do GAM e o Grupo Gestor do Colégio Salesiano Auxiliadora, que prestigiaram e agradeceram imensamente pelos mais de 50 anos de serviços prestados à região, especialmente aos bairros Povo Novo e Ivo Ferronatto.

Em 2025, três Irmãs Salesianas atuavam na Obra Social Laura Vicunha:

  • Ir. Ercilde Moratelli
  • Ir. Iracema Zóboli
  • Ir. Maria Plebani

Durante o momento, em tom de gratidão, as Irmãs Salesianas destacaram a calorosa acolhida do povo bageense ao longo de todos esses anos e firmaram o compromisso de continuar rezando por todas as famílias e jovens que cruzaram seus caminhos. Assim, em 17 de dezembro de 2025, as Filhas de Maria Auxiliadora partiram, seguindo sua vocação para dar continuidade ao trabalho de voluntariado missionário em outras presenças.

Missa de Encerramento
Missa em homenagem às Filhas de Maria Auxiliadora, em 14 de dezembro de 2025. Fonte: Arquivo Colégio Salesiano Auxiliadora.
1969 – 2025

Diretoras da Obra Social

Desde a sua fundação em 1969, a comunidade das Irmãs Salesianas em Bagé foi guiada por dedicadas diretoras que lideraram os trabalhos da instituição ao longo de suas décadas de atuação. A sucessão de diretoras ocorreu da seguinte forma:

  • Ir. Thecla Zaydowicz: 1969 a 1973
  • Ir. Arlete Passos: 1974 a 1979
  • Ir. Laura Mondini: 1980 a 1985
  • Ir. Zenira Ostrowski: 1986 a 1991
  • Ir. Joanna (Joanita) da Rocha Pereira: 1992 a 1998
  • Ir. Alice Demarchi: 1999 a 2003
  • Ir. Lina Mondini: Assumiu a partir de 2004

Fonte histórica: Padre Tarcísio Luís Brasil Martins, SDB — Cem anos com a Rainha: Centenário da Presença Salesiana em Bagé/RS (2004).

Revisão: Enzo Lugo Moraes — Assessor de Comunicação do Colégio Salesiano Auxiliadora.